segunda-feira, outubro 27

Manifesto Polifônico | Biopsicoeletroacustico

1 - O silêncio não é. Tudo soa. Tudo que existe tem algum reflexo no corpo sonoro. Supercordas vibrantes em ressonância biopsicoeletroacústica...Vibrações sonoras que se unificam ås vibrações psíquicas. Intermodulações de sons e idéias...Na música os sons se concatenam, como os elos de uma corrente. Como as moléculas d’água rio abaixo. Como os rios mundo afora. Nenhuma metáfora poderia descrever o que tenho do audível;

2- Fios elétricos como rizomas vivos. A tecnologia a serviço das probabilidades humanas. As ondas hertzianas são as ondas cerebrais. Os microfones escutam bater o coração da matéria. Os amplificadores e os difusores de sons amplificam e difundem os pensamentos. Os fios elétricos que se ligam aos instrumentos são os nervos condutores de influxo cerebral. O homem faz corpo com as máquinas, novas extensões de seu sistema nervoso aumentando seus poderes de ação e comunicação:
[Simbiose, que é a conexão do biológico com o silício = homem sintético]

3 - Nada nos obriga a ficarmos limitados às definições físicas do nosso alcance perceptivo. E a imaginação? Este é o desafio que a tecnologia enfrenta - a hibridação de formas homem-máquina através de implantes; um mundo de novos seres com formidáveis poderes de percepção, memória, raciocínio e interpretação. A música livremente improvisada, mesmo que com recurso ao cálculo intensivo do silício, deverá continuar a ser um produto do caos carbônico, da imprevisibilidade e da permutação do acaso, do calor, da simplicidade e da profundidade espiritual que nos identificam como humanos;

4 - O louco apego à tecnologia. Busca frenética por avanços que, longe de anunciarem o nirvana da humanidade, nos desumanizam: “A tecnologia está se tornando mais suave, mais inteligente, mais ‘sexy’, e os humanos estão se endurecendo, perdendo os sentidos e, na idade da Aids, ficando assexuados;

5 - A solução poderia ser o desenvolvimento de uma “consciência sonora”, na esperança de que as tecnologias eletrônicas nos ajudem a sensibilizar a percepção dos sons e a encontrar um equilíbrio entre o ambiente áudio natural e o que produzimos artificialmente:
[conjugar as dimensões físicas da escuta natural com as da relatividade da escuta midiatizada]

6 - Uma nova função dos sons, de certas constelações de sons compostas por pessoas que têm este conhecimento mais sutil de como as vibrações sonoras agem sobre os seres humanos, pode sugerir gravações tendo em vista propósitos muito particulares;

7 - “efeito Sharawadji”, definido como a sensação de plenitude provocada pela contemplação de uma paisagem sonora complexa, uma impressão de beleza que não se pode explicar racionalmente e que só a Natureza é capaz de originar, ainda que por descontextualização e ruptura de sentido;

8 - A idéia de fluxo como forma de libertar o caos da realidade. O fluxo cria ruído, dissonância, contradição, magnifica a diferença, multiplica a experiência humana, convida à interação coletiva.

Erick Davis, Harl Kunzru, Felipe Pires Ribeiro, David Toop, Marcelo Apontes - www.rizoma.net

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